BRICKS BRAILLE MATEMÁTICO: ANÁLISE DO USO DE UM RECURSO DIDÁTICO INCLUSIVO CRIADO PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA A ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Grafia Matemática Braille; Educação Inclusiva; Educação Matemática; Deficiência Visual
Os recursos didáticos físicos e acessíveis constituem ferramentas fundamentais para a mediação dos processos de ensino e de aprendizagem, especialmente no contexto da educação inclusiva. No ensino de Matemática para estudantes com deficiência visual, tais recursos tornam-se indispensáveis, pois possibilitam a concretização de conceitos abstratos por meio de representações táteis ou multissensoriais, promovendo a equidade no acesso ao conhecimento e favorecendo a aprendizagem. Nesse sentido, esta pesquisa apresenta o recurso didático Bricks Braille Matemático (BBM), criado no âmbito do Projeto Incluir-Ciência do CEFET-MG. Inspirado nos blocos de encaixe da Lego® e no Bricks Braille Químico, recurso previamente desenvolvido no mesmo programa, o BBM se configura como um recurso didático de baixo custo criado por meio da impressão 3D e que permite a representação tátil de números e símbolos matemáticos na Grafia Braille presentes no Código Matemático Unificado para a Língua Portuguesa (Brasil, 2006a). O objetivo geral desta pesquisa foi compreender como o emprego do BBM influencia a motivação e o engajamento de estudantes com deficiência visual em atividades pedagógicas de Matemática. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada, com objetivos exploratório-descritivos e procedimentos de campo. Participaram da pesquisa uma professora e cinco estudantes com deficiência visual, vinculados ao Instituto São Rafael, instituição especializada na educação de pessoas com deficiência visual. Também participaram um professor, um profissional de apoio e sete estudantes do CEFET-MG, entre eles uma aluna com baixa visão. Foram utilizados os seguintes instrumentos de coleta de dados: observação sistemática e entrevistas semiestruturadas no Instituto São Rafael e grupo focal no CEFET-MG. Para a análise dos dados foram utilizadas as técnicas de análise de conteúdo de Bardin (2020). Os resultados indicam que o uso do BBM em sala de aula pode favorecer a motivação e o engajamento de estudantes com deficiência visual, à medida que promove a autonomia na escrita de expressões matemáticas, de maneira lúdica e acessível. Nas aulas com o BBM, os alunos participaram ativamente, revelando maior interesse e curiosidade em relação aos conteúdos matemáticos, o que evidencia o potencial do recurso para promover uma aprendizagem mais engajada e significativa.