Banca de QUALIFICAÇÃO: MARLON FABIAN SOARES MACHADO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARLON FABIAN SOARES MACHADO
DATA : 18/09/2019
HORA: 15:00
LOCAL: Sala de Reunião do POSLING
TÍTULO:

Os Corpos (Im)possíveis de Tatsumi Hijikata: um estudo acerca do corpo poiético e das hibridações nas artes


PALAVRAS-CHAVES:

Ankoku Butoh. Corpo. Dança. Corpo Poiético. Interartes.


PÁGINAS: 27
RESUMO:

Este projeto busca analisar a coreografia do dançarino japonês Tatsumi Hijikata realizada no curta-metragem Navel and A-Bomb, O Umbigo e a Bomba Atômica, de 1960, do diretor Eikoh Hosoe com luz nos aspectos da manifestação do corpo poiético na construção de uma linguagem híbrida na dança Ankoku Butoh, Dança das Trevas. A coreografia coloca Hijikata no papel de um demônio que surge do mar para roubar o umbigo de uma criança. Este curta mostra o corpo ligado ao bombardeio de Hiroshima e Nagasaki e à destruição total do Japão, mas também anuncia o "nascimento" de uma nova identidade japonesa no rastro da catástrofe atômica, a subsequente derrota e ocupação do Japão. A práxis corpórea desenvolvida na dança Butoh teve sua origem ligada a este cenário de pós-guerra em um contexto sociocultural marcado pelos lançamentos das bombas atômicas e pela posterior invasão ocidental no território japonês. Apesar de ter sido inicialmente rejeitada nos ambientes artísticos nipônicos, esta dança obteve um destaque em 1959 com a apresentação Kinjiki, Cores Proibidas. O percurso para elaboração do Butoh de Hijikata buscava promover a desconstrução do corpo social (shintai) para se alcançar o corpo de carne (nikutai). Seria este que possibilitaria um deslocamento pela memória para se criar uma “dança verdadeira” que estaria no abandono do self físico, ou seja, no impulso de construção/desconstrução ininterrupto do próprio corpo dançante (narushintai). Os manejos físicos e filosóficos que circundam o imaginário de Hijikata o permitem, dessa maneira, criar uma composição corpográfica a partir da relação entre o vazio do corpo, sua memória e sua carne. Seria o percurso ao encontro de sua matriz poética, o corpo morto, que possibilitaria por meio de um estado corporal a manifestação de qualidades necessárias à execução de sua estética, que instaurava o corpo em uma tensão entre vida e morte, revelando fragmentos abalados de uma dimensão social e cultural que permaneceu no imaginário dos sobreviventes dos ataques nucleares. A compreensão do corpo estabelecida a partir do processo criativo de Hijikata subsidiará a reflexão do corpo poiético, que será tratado, a partir de sua utilização estetizada na dança Butoh, como uma materialidade plástica capaz de promover ações no trânsito entre as artes, no espaço híbrido, ao promover a interação entre linguagens artísticas.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - LUIZ CARLOS GONCALVES LOPES
Externo à Instituição - MÁRIO GERALDO ROCHA DA FONSECA - UEMG
Presidente - OLGA VALESKA SOARES COELHO
Notícia cadastrada em: 11/09/2019 15:43
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