HORIZONTALIDADE DISCURSIVA NO COMBATE AO BULLYING: Da importância da formação de multiplicadores de conteúdo com base no paradigma da complexidade
bullying; horizontalidade discursiva; multiplicadores; DIPAC; complexidade.
Considerado um estressor social de impacto negativo no bem-estar e na qualidade de vida dos sujeitos, o bullying se caracteriza pela violência entre pares, sendo, entre crianças e adolescentes, um fenômeno de ocorrência prevalente em ambiente escolar. Trata-se de um problema endêmico, não exclusivo entre a referida faixa etária, mas também presente entre adultos em universidades e/ou ambientes corporativos, em todo o mundo, demandando atenção da sociedade civil e das instituições públicas para combater funesta prática. A atuação na busca de soluções para tentativa de erradicação desse mal social alcança múltiplas áreas científicas, seja no campo pedagógico, no jurídico e até mesmo com intervenções por profissionais da Psicologia, mas, com resultados pouco inspiradores até então. São muitas variáveis que se apresentam como dificultadores de mitigação do problema, podendo listar, entre elas, a resistência por parte de crianças e adolescentes em idade escolar ao estarem diante de um professor ou palestrante que busquem levar conteúdo de conscientização anti-bullying. Não obstante os motivadores que levam a tal resistência e independentemente de qual papel cada aluno assume na cadeia de reprodução de violência escolar – ora sendo a vítima, ora sendo o agressor, ou ainda atuando como o mero expectador omisso –, o fato é que trabalhar a temática de forma direta, referindo-se diretamente ao bullying ou ao cyberbullying, não promove resultados satisfatórios, face à resistência dos alunos. Assim, o objetivo do presente estudo é alterar a fonte do discurso com o fim de horizontalizar a propagação do conteúdo anti-bullying e, para tanto, defende-se o desenvolvimento de um programa de multiplicadores de conteúdo em uma escola de ensino fundamental da rede municipal, na cidade de Contagem-MG, por meio do uso de metodologias ativas e aplicação da Dinâmica Interacional Pedagógica Adaptativa Complexa – DIPAC. A partir do contexto do paradigma da complexidade, investiga-se a possibilidade de redução de violência escolar na hipótese de tornar os alunos agentes de transformação, treinando um grupo previamente selecionado de alunos – cuja seleção é estabelecida entre aqueles que sejam do público alvo do conteúdo futuramente ministrado –, para serem monitores entre seus pares, consagrando a horizontalização do discurso e indicando que a efetividade reside mais no agente ao qual profere o conteúdo do que esse propriamente, buscando, assim, demonstrar que a promoção de conscientização entre os próprios estudantes pode vir a ser mais eficaz no combate à violência escolar.