A APRENDIZAGEM HUMANA NA ERA DA APRENDIZAGEM DE MÁQUINA: Fronteiras entre a hermenêutica de um ser de cultura e o processamento da linguagem humana pela Inteligência Artificial.
Processamento de Linguagem Natural; Inteligência Artificial; Filosofia da Linguagem; Aprendizagem; Antropologia Filosófica; Hermenêutica Filosófica
A presente pesquisa se propõe a instigar reflexões acerca das consequências do processamento massivo da linguagem humana pelo mecanismo de aprendizagem de máquina, desvendando-se os impactos dessa realidade na própria experiência formadora da cultura e do ser de cultura (aprendizagem humana). Com marco teórico assentado na antropologia e na hermenêutica filosóficas, apontaremos os limites da dimensão analítica da linguagem, indicando a fronteira da pretensão de se replicar a cognição humana por meio da semiótica computacional e explorando o conteúdo ético e intersubjetivo ínsito à práxis de uma substancial aprendizagem humana, metafisicamente reservada ao ser de cultura. As pessoas se autoproduzem na linguagem, ao tempo em que dialeticamente produzem a própria linguagem; ao conteúdo axiológico da hermenêutica, de representação do valor verdade, tal qual inferido por seres livres e iguais, atrela-se o conteúdo antropológico, por meio do qual a pessoa humana se afirma livre, se define na cultura ao tempo em que define a própria cultura. Enquanto a aprendizagem de máquina sempre será reduzível à sua heurística conexionista, apta a promover predições a partir de conjugações estruturais de padrões identificados em big data, a tanto se distancia a complexidade da aprendizagem humana, cuja formação atrela-se à dialética histórico especulativa, uma inerência à condição do ser dotado de intencionalidade moral.