PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E ESTUDOS DE EDIÇÃO: Análise das estratégias editoriais de revistas brasileiras da área de Linguística e Literatura
estudos de edição; edição científica; edição de periódicos; periódicos científicos; políticas editoriais.
O presente trabalho teve por objetivo realizar o mapeamento e analisar as práticas, os processos e as políticas editoriais (que passaram a ser nomeadas ao longo da pesquisa como estratégias editoriais) declaradas e implementadas pelos periódicos da área de Linguística e Literatura, sua inserção em indexadores e relações com o trabalho das equipes editoriais. Apesar de as discussões e reflexões desenvolvidas terem por referencial teórico um enfoque interdisciplinar e multidisciplinar, há um eixo centralizador na linguística aplicada e nas relações éticas e de poder (os modos pelos quais os periódicos definem como se dará a circulação da linguagem, a partir de suas políticas e diretrizes editoriais, e como essa circulação está materializada nos objetos de comunicação de pesquisa que publicam). Foi realizada uma ampla pesquisa documental (com a mobilização de um conjunto significativo de documentos norteadores de práticas editoriais em nível nacional e internacional, assim como amplas discussões referentes aos processos de edição científica e sobre os estudos de e sobre periódicos no âmbito da Linguística e Literatura e Humanidades em geral, com especial destaque para as pesquisas associadas ao emergente estudos de edição. Além disso, a pesquisa utilizou-se de metodologias quantitativas e qualitativas, a depender do conjunto de dados que foram coletados. Os dados estruturados, quantitativos, mobilizados foram as informações gerais sobre os periódicos, suas políticas e diretrizes editoriais e a presença em indexadores; todos eles obtidos no mapeamento realizado, totalizando 56 características coletadas. Foi nesta etapa que se consolidou o tamanho do corpus composto por 395 periódicos de Letras ou com forte aderência, nacionais, online, em atividade, aos quais forem encaminhados convites para responder um formulário online com 64 perguntas abertas e fechadas, gerando dados quantitativos e qualitativos, estruturados e não estruturados. Além do envio de formulário, foram encaminhados, para um conjunto selecionado de periódicos, convites para realização de entrevistas, que geraram dados qualitativos – foram realizadas 3 entrevistas. Destaca-se que todos os três conjuntos de dados foram disponibilizados em um repositório público de dados de pesquisa, em consonância com as práticas de ciência aberta. A partir das discussões realizadas ao longo de todo o trabalho, das realizadas no âmbito da apresentação dos três conjuntos de dados e das reflexões e análises referentes as estratégias editoriais, destacam-se as seguintes conclusões: as estratégias editoriais se organizam em cinco âmbitos, o administrativo, o científico, o comunicativo, o de edição e o político; a atuação das equipes editoriais e em especial das editoras-chefes devem ser norteadas por questões de éticas e de poder, cabendo a elas as decisões sobre o periódico; o conjunto dos periódicos da área não está preparado para uma avaliação centrada em aspectos de ciência aberta (em especial, abertura de dados, preprints, abertura de avaliação e publicação de pareceres); não foi identificado periódico da área que cobre taxas, apesar de vários deles não terem políticas explícitas informando que não cobram, conforme alguns indexadores exigem; há um amplo espaço e possibilidade de indexação, caso as revistas declarem expressamente suas políticas editoriais; percentualmente, a hiperconcentração dos títulos nas regiões sudeste e sul é superior à concentração de PPGs nessas mesmas regiões; há uma forte necessidade de reconhecimento formal e institucional do tempo e do trabalho dedicados pelas equipes editoriais aos periódicos, especialmente com redução de outros encargos.