Banca de DEFESA: DILMA MARIA CAMPELO RIO VERDE

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DILMA MARIA CAMPELO RIO VERDE
DATA : 02/06/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Virtual
TÍTULO:

Os imaginários sociodiscursivos e a construção
das imagens de si em narrativas de vida de mulheres com câncer de mama


PALAVRAS-CHAVES:

análise do discurso; narrativas de vida; câncer de mama; ethos; imaginários
sociodiscursivos


PÁGINAS: 407
RESUMO:

Esta tese investigou os imaginários sociodiscursivos e a construção das imagens de si em
narrativas de vida de mulheres diagnosticadas com câncer de mama, articulando tais
construções às condições socioeconômicas e às trajetórias discursivas das enunciadoras. A
pesquisa faz interface entre os campos da medicina, da Análise do Discurso e da
Etnossociologia. A principal referência teórico-metodológica para as análise dos corpora é a
Teoria Semiolinguística, de orientação sociocomunicacional do discurso, de Patrick
Charaudeau (1996, 2001, 2005, 2006, 2007, 2009, 2010a, 2010b, 2011, 2017), em articulação
com outros pesquisadores, como Amossy (2008a, 2008b), Arnoux (2006, 2019, 2021),
Maingueneau (2008a, 2008b, 2015, 2020), Arfuch (2010, 2013), Bertaux (2005), Lessa (2013,
2019), Machado (1996, 2006, 2016, 2020) e Meccia (2020). Com base em abordagem
qualitativa, foram analisadas narrativas de dois grupos de mulheres: o primeiro, composto por
autoras de autobiografias com condições socioeconômica e cultural mais favorecidas, e o
segundo, por mulheres assistidas pela Associação de Prevenção do Câncer na Mulher
(ASPRECAM), durante tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS), com
condições socioeconômica e cultural menos favorecidas. A análise contemplou aspectos como
medo, sexualidade, relações familiar e social, condições de acesso à informação, desigualdades
no tratamento, estratégias de enfrentamento e a significação simbólica da doença. Partindo da
concepção de que as narrativas autobiográficas constituem práticas de subjetivação e de
produção de sentido, a pesquisa examinou como os sujeitos se constroem discursivamente a
partir de diferentes condições de enunciação. A análise dos ethé projetados nos discursos
revelou contrastes importantes: as autobiografias apresentaram elaborações simbólicas,
interpelações ao leitor e testemunhos públicos, diferentemente dos relatos das mulheres do
segundo grupo, que são atravessados por discursos de religiosidade, de gratidão e de resistência.
Conclui-se que os imaginários sociodiscursivos atuam como molduras simbólicas que
influenciam os modos de narrar, sentir e enfrentar o câncer de mama. Tais molduras produzem
sentidos sobre o corpo adoecido, atravessam as experiências subjetivas das mulheres e revelam
os efeitos das desigualdades no campo da saúde. A linguagem, em ambos os grupos, emerge
como instrumento de cura, denúncia e reconstrução identitária. Ao valorizar essas narrativas, a
pesquisa contribui para o reconhecimento da potência discursiva das vozes femininas e para a
afirmação da escuta e do cuidado como práticas tanto éticas quanto políticas em contextos de
sofrimento.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - CLAUDIO HUMBERTO LESSA
Externa à Instituição - ELVIRA BEATRIZ NARVAJA DE ARNOUX
Presidente - LILIAN APARECIDA ARAO
Interna - MARIANA JAFET CESTARI
Externa à Instituição - RAQUEL LIMA DE ABREU AOKI - UFMG
Notícia cadastrada em: 28/04/2025 16:40
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