REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DISCENTES E
SEUS IMPACTOS NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PARA O
LETRAMENTO CRÍTICO
Representações sociais. Letramento Crítico. Processos Formativos. Redação do Enem.
Nesta pesquisa, buscamos examinar a formação dos alunos do ensino médio, investigando suas representações sociais e o impacto da formação para os letramentos críticos, com vistas a uma formação mais consciente, participativa e alinhada com as necessidades e aspirações dos estudantes. Partimos de um pressuposto de que, à medida que estudantes são inseridos em atividades com foco no letramento crítico, suas representações sociais se alteram. Examinamos as percepções, concepções e interpretações dos alunos sobre sua própria educação, considerando o papel do letramento crítico na análise e na reflexão sobre os discursos e práticas presentes no contexto escolar. Nosso ponto de partida concentra-se na preparação para a prova do Enem, em especial, na redação, aspecto fundamental para garantir o sucesso na avaliação. Para cumprir esta empreitada, ancoramo-nos nas visões de Letramento Crítico (Street, 2014), na Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 2007) e nas Teorias Dialógicas do Discurso, de Bakhtin (Volóchinov, 2017[1929]). Como percurso metodológico, esta pesquisa se enquadra numa natureza qualitativa, em que se realizou a aplicação de um questionário não estruturado a estudantes da Oficina Permanente de Produção de Textos (Projeto de Ensino do IFMG – Campus Sabará). Para a compreensão dos dados, utilizamos a Análise de Conteúdo, de Bardin (2015), e a ferramenta Iramuteq, a qual contribuiu para a análise dos dados, para a geração das nuvens de palavras e para a aplicação do teste de similitude, com vistas a flagrar as representações sociais presentes nas discussões dos participantes. Como resultado, a partir de quatro categorias de análise, compreendemos que obter uma boa nota na redação exige preparo, escolhas, desafios e um processo que esteja mais alinhado à formação crítica dos estudantes. Além disso, apenas o ato de produzir um texto não é suficiente para garantir a criticidade, uma vez que, na percepção dos participantes, a escola pública brasileira é falha em desenvolver o pensamento crítico – diferentemente da instituição na qual eles estão inseridos. Inclusive, a redação do Enem avalia competências específicas, que, por si sós, não são suficientes para fortalecer o pensamento crítico. Segundo os respondentes, é necessário ir além desse processo, desenvolvendo habilidades e aprofundando conhecimentos que transcendam a escrita e permitam uma compreensão mais ampla e crítica da realidade. Por fim, a pesquisa aponta que a instituição é um local que fortalece o pensamento crítico, na medida em que promove a liberdade. Além disso, é visível como o ensino, nesse local, aponta para uma representação social de liberdade, em que é possível ser quem é sem ser julgado, sem sofrer consequências ou ser punido. Todos esses termos, em certos momentos das respostas, aparecem com a ideia de que a instituição os deixa “livres” para pensar e para agir. Desse modo, a pesquisa evidencia processos que vão além de uma obtenção de nota, mas volta o seu olhar para o aluno, o protagonista.