RIZOMAS ENTRE O LITERÁRIO E O JORNALÍSTICO: Carlos Drummond de Andrade em aliança com Deleuze e Guattari
literatura, jornalismo, filosofia.
Estamos vivendo uma crise de conhecimento em todos os campos que o divulgam ou o potenciam. Nesse sentido, reuniremos três campos que deveriam colaborar para a potencialização do conhecimento, quais sejam, o jornalismo, a arte e a filosofia. Planos que preenchem esse experimento dissertativo antes mesmo da escrita começar. Depois de conhecer os conceitos dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, passamos a pensar como a literatura e o jornalismo estimulam ou deveriam estimular o pensamento e a criação. Contudo, antes é preciso pensar o modus operandis daquilo que Deleuze e Guattari conceituam como literatura e qual visão tem esses filósofos do mass media. Ruminamos bastante sobre como abordar essas três áreas de produção textual. A literatura e a filosofia tendem a se desvencilhar das amarras dos enquadramentos. Em movimento afim à contemporaneidade, o jornalismo, ou mass media, tende a amarrar-se aos enquadramentos, entregando para a sociedade, quase sempre, a ordem recognitiva, padronizada e alienante. Para tentar compreender melhor as minhas inquietações, resolvi avizinhar jornalismo e literatura criticamente a partir da filosofia deleuzo-guattariana, a partir de uma filosofia que valoriza a multiplicidade e contesta a ideia dialética do par oposição. Com isso, será possível ressaltar o potencial literário e pensar novos caminhos de resistência para o jornalismo. Para pensar o problema que levantamos, analisaremos obras de Carlos Drummond de Andrade, a partir de poemas e crônicas de Drummond, as quais pensam e criam as Minas Gerais da mineração. Extemporaneamente, experimentarei o avizinhamento entre o literário e o jornalístico, tendendo a demonstrar a potência afectiva do primeiro em relação ao “objetivismo” do segundo, tendo em conta as minas dos gerais, as minas que em acordo tácito com as forças públicas e privadas exercem à céu aberto sua soberania e desastre.