Cartas publicadas: edição, autoria feminina e permanência do gênero epistolar
Gênero epistolar; edição; autoria feminina; paratextos.
Este projeto investiga a edição de cartas de autoria feminina publicadas como obras literárias, com foco na permanência e reinvenção do gênero epistolar em contextos contemporâneos. Parte-se da ideia de que, embora a carta tenha origem como meio de comunicação privada, ela pode ser ressignificada como objeto literário por meio de práticas editoriais, como a curadoria do material e a mediação paratextual. A pesquisa articula contribuições teóricas de autores como Terry Eagleton, Antonio Candido, John B. Thompson, Pierre Bourdieu e Gérard Genette, examinando o papel da edição na legitimação da carta como forma literária. Também se analisa como o gênero epistolar tem servido à expressão da subjetividade e à construção da memória de mulheres escritoras, abrindo espaço para vozes historicamente marginalizadas. Ao investigar os livros de cartas escritos por três mulheres no século XX e editados para a publicação no Brasil quase 50 anos depois busca-se responder a seguinte pergunta: de que forma o processo editorial, por meio de seus elementos paratextuais, atua na ressignificação e legitimação de cartas como obras literárias, especialmente no contexto da publicação de correspondências femininas?