CORPO-A-CORPO COM A VIDA:
Literatura e marginalidade na Lagoinha de Wander Piroli
Wander Piroli. Lagoinha. Crônica. Literatura marginal. Memória urbana. Literatura brasileira contemporânea.
Esta dissertação analisa criticamente o livro Lagoinha (2004), de Wander Piroli, com ênfase na representação da marginalidade urbana e da memória popular em Belo Horizonte. Parte da hipótese de que a Lagoinha funciona como núcleo estrutural das narrativas, organizando tanto o espaço quanto a elaboração ética e estética dos textos. Estabelece um diálogo com o ensaio “Corpo-a-corpo com a vida”, de João Antônio (1981), ao aproximar os dois autores pelo engajamento com os excluídos e pela construção de uma radiografia social do meio urbano. O primeiro capítulo realiza um percurso biobibliográfico de Piroli e sua relação com o espaço retratado. O segundo examina as crônicas à luz da filosofia da rememoração e da experiência, com base em Walter Benjamin, Aleida Assmann, Jean-Marie Gagnebin e Georges Didi-Huberman. O terceiro capítulo enfoca as figuras retratadas e a presença da violência, mobilizando a crítica sociológica de Alfredo Bosi, Antonio Candido e Fábio Lucas, além de estudos contemporâneos de Karl-Erik Schøllhammer, Jaime Ginzburg e João Cezar de Castro Rocha. Conclui que a obra tensiona os limites da crônica ao representar um espaço urbano em processo de apagamento, inserindo-se de forma expressiva na literatura brasileira contemporânea que se dedica a resgatar vozes e tempos soterrados pela lógica do progresso.