DISCURSIVIDADES EM PRODUÇÕES PORNOGRÁFICAS AUDIOVISUAIS: NOVAS OU ANTIGAS PERSPECTIVAS?
discurso pornográfico; Pornhub; Pornografia de Comando Verbal Masturbatório; discurso digital; efeitos patêmicos. teoria semiolinguística.
A pornografia, como negócio e expressão cultural, transita por suportes midiáticos diversos e se configura como um discurso atópico que opera em um espaço privilegiado para a análise de práticas de linguagem que tensionam os limites do dizível, sobretudo em contextos de virtualização da experiência sexual. Inserida nesse escopo, esta dissertação propõe uma reflexão sobre os modos de funcionamento discursivo de produções pornográficas audiovisuais categorizadas como Pornografia de Comando Verbal Masturbatório (PCVM), nicho que se destaca pela centralidade do discurso oralizado como mecanismo de excitação sexual. Fundamentado na Análise de Discurso de orientação francesa, o estudo mobiliza prioritariamente os aportes teóricos de Maingueneau (O discurso pornográfico, 2010), Charaudeau (Discurso das mídias, 2009; Linguagem e discurso: modos de organização do discurso, 2012) e Paveau (Análise do discurso digital: dicionário das formas e das práticas, 2022), compreendendo a linguagem como dispositivo estruturante do contrato pornográfico digital e vetor central da cena masturbatória dirigida. Para isso, analisa um corpus composto por vídeos hospedados na plataforma Pornhub, com foco nos efeitos de sentido e nas estratégias patêmicas mobilizadas para interpelar sexualmente um público majoritariamente masculino. Diante da crescente segmentação e personalização dos conteúdos pornográficos on-line, a pesquisa demonstra a emergência de vínculos entre enunciador e coenunciador para satisfação sexual pela via masturbatória, em que o discurso verbal assume protagonismo. A análise demonstrou que a PCVM se estrutura como um contrato comunicacional de excitação, orientado por performances de linguagem que articulam erotismo, intimidade simulada e submissão erotizada. Constatou-se ainda que a linguagem verbal não apenas estrutura o enunciado pornográfico, mas se torna o próprio motor da experiência masturbatória, evidenciando uma forma discursiva funcionalmente eficaz.