O FEMININO DA ESCRITA EM CLARICE LISPECTOR
Escrita feminina; Clarice Lispector; Hélène Cixous; Maria Lúcia Castello Branco; Subjetividade; Linguagem.
Esta dissertação investiga o feminino da escrita na obra de Clarice Lispector à luz das teorias de Hélène Cixous e Maria Lúcia Castello Branco, compreendendo a linguagem clariceana como espaço de subjetividade, sensorialidade e ruptura das convenções narrativas tradicionais. Fundamentada na noção de (écriture féminine) proposta por Cixous, a pesquisa analisa como a autora brasileira inscreve o corpo, o desejo e o inconsciente no texto, produzindo uma escrita que subverte a lógica patriarcal e se abre ao indizível e ao fragmentário. O diálogo com Castello Branco aprofunda essa reflexão ao destacar a escrita feminina como lugar do gozo, da ausência e da impossibilidade — um espaço em que a palavra se faz corpo e o corpo se faz linguagem. A partir de uma análise crítico-reflexiva dos contos “Amor”, “A Imitação da Rosa” e “Laços de Família”, evidencia-se como Lispector constrói uma poética que valoriza o som, o ritmo e a materialidade da linguagem, aproximando-se da experiência poética e da oralidade. Assim, demonstra-se que, em Clarice, a escrita é um gesto de invenção e resistência: um modo de existir no intervalo entre o ser e o dizer, onde o feminino se revela como potência criadora, estética e política.