Por zines e saraus: a construção de redes de sociabilidades periféricas e a
poesia produzida e editada por mulheres negras em Belo Horizonte (2018
– 2025)
Redes de sociabilidade. Zines. Autopublicação. Sarau
periférico. Literatura de autoria feminina. Literatura negra.
Nesta tese são investigadas as redes de sociabilidade construídas para garantir
que mulheres negras e periféricas, atravessadas por violências raciais, de
gênero e sociais, consigam produzir e materializar poesia, criando condições de
produção e recepção fora do campo editorial tradicional. Como metodologia, o
estudo emprega a análise do espaço urbano de Belo Horizonte e de saraus
periféricos como Coletivoz, Afrolíricas, Roda BH de Poesia e Sarau das Manas,
no recorte temporal de 2018 à 2025, período em que a pesquisa ocorreu,
utilizando referenciais teóricos interdisciplinares sobre a construção do campo
literário brasileiro e a interseccionalidade de raça e gênero, complementado por
entrevistas com organizadoras dos referidos saraus e autoras das zines, além
da análise de zines autopublicadas. É possível perceber que os saraus
funcionam como um instrumento de luta pelo direito à cidade e como espaços
de resistência "quilombista", e que as zines são ferramentas para as autoras se
autoinscreverem e se posicionarem no mundo, servindo como um meio para
atuarem na cena cultural ou se manterem como escritoras por meio de outras
iniciativas editoriais, reafirmando que a existência e produção poética dessas
mulheres se baseia na coletividade e na reapropriação da escrita como
"escrevivência".