LAMPEJOS DE LU(Z)CIDEZ POLÍTICO-POÉTICA:
Claudia Andujar e a Galeria Maxita Yano
fotografia; decolonialidade; Claudia Andujar; Povo Yanomami; museologia decolonial; Galeria Maxita Yano.
Esta dissertação investiga a fotografia como um campo de batalha em que as narrativas coloniais de invisibilização são confrontadas pelas forças decoloniais de reexistência dos povos originários. O objetivo central é analisar o trabalho fotográfico de Claudia Andujar e o processo curatorial subjacente, questionando como a transição da Galeria Claudia Andujar para a Galeria Maxita Yano, localizada no Instituto Inhotim, consolida-se como prática material de museologia decolonial e reparação histórica. O estudo se ancora na teoria decolonial, utilizando os aportes de Aníbal Quijano, Nelson Maldonado-Torres e Walter Mignolo, e integra o pensamento originário de Davi Kopenawa, Kaká Werá Jecupé e Ailton Krenak. A análise qualitativa demonstra que o artivismo de Andujar gerou um “artefato decolonial”, pois seu conjunto fotográfico, desvinculado da mera representação estética, serviu intrinsecamente à luta pela demarcação e à defesa do povo Yanomami. O conceito de “lampejos de lu(z)cidez político-poética” é mobilizado para qualificar essas imagens e ações como atos de resistência que criam fissuras de entendimento e visibilidade na escuridão do poder colonial. A dissertação conclui que a reformulação da galeria, ao transferir o protagonismo curatorial e discursivo para os artistas e líderes indígenas, não só honra a trajetória dessas fotografias como também estabelece uma subversão institucional que efetivamente desmantela as colonialidades do saber e do ser, afirmando o lugar central dos povos originários na produção e na curadoria artistícia.