Banca de DEFESA: BRUNO DUARTE MOITA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : BRUNO DUARTE MOITA
DATA : 12/01/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Presencial
TÍTULO:

A MARGEM DA HISTÓRIA: Uma classificação da margem em livros do século XV ao XXI

 

 


PALAVRAS-CHAVES:

Margem; Mancha Gráfica; Design do Livro; História do Livro; Edição.


PÁGINAS: 192
RESUMO:

Esta dissertação investiga a margem como elemento expressivo no projeto gráfico de livros de prosa impressos em códice, partindo da lacuna crítico-teórica que tradicionalmente a restringe a funções ergonômicas ou estéticas. Defende-se que a margem é um espaço paratextual ativo, capaz de comunicar intenções editoriais e refletir contextos socioculturais, estéticos e tecnológicos. O objetivo geral é, portanto, descrever uma classificação que evidencie esse papel na produção de significados. Metodologicamente, o trabalho articula princípios da sociologia dos textos, da mediologia e do comparativismo, definindo a margem em sua dimensão histórica e funcional. A análise baseia-se em um corpus, constituído como paideuma, composto por projetistas cujas produções ilustram transformações estruturais na materialidade do livro: Johannes Gutenberg, Aldo Manuzio, a família Elzevier, William Morris, Jan Tschichold e Giovanna Cianelli. A análise desse conjunto fundamenta a proposição de sete classes de margem: matemática, iluminada, anotada, econômica, alusiva, ilustrada e narrativa. Os resultados demonstram que, nos incunábulos, a margem iluminada de Gutenberg dialoga com práticas manuscritas e sacralizadas, ao passo que a margem anotada de Manuzio responde ao estudo humanista. Evidencia-se também a tensão entre a margem econômica dos Elzevier e sua oposição ao ideal do “belo livro” de Morris, que resgata o modelo medieval pelo uso da margem alusiva. Por fim, a margem matemática proposta por Tschichold reflete padrões industriais de produção, contrastando com as soluções contemporâneas de Cianelli, que mobilizam a margem ilustrada e narrativa como um recurso em diálogo com as novas mídias. Conclui-se que a margem não é um espaço neutro, operando ativamente na construção de sentido e sendo instrumentalizada para modular o ritmo de leitura, viabilizar estudos, criar enquadramentos simbólicos, definir o custo material, auxiliar na legibilidade e implementar estratégias narrativas. Situada entre a funcionalidade e a experiência estética, a margem é um elemento cuja compreensão demanda a consideração simultânea da forma, da intenção editorial e do contexto sociocultural. Assim, a classificação proposta serve como passo inicial para pesquisadores, críticos e projetistas ampliarem o estudo sobre a materialidade do livro.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - WAGNER JOSE MOREIRA
Interno - ROGERIO BARBOSA DA SILVA
Externo ao Programa - MARIO VINICIUS RIBEIRO GONCALVES
Externo à Instituição - EMERSON NUNES ELLER - UFMG
Notícia cadastrada em: 05/12/2025 16:25
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