Banca de DEFESA: LUANA JÉSSICA OLIVEIRA CARMO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUANA JÉSSICA OLIVEIRA CARMO
DATA : 28/02/2019
HORA: 14:00
LOCAL: sala 201 auditório, prédio 20, 2º andar Campus II CEFET-MG
TÍTULO:

“Eu Caço e Mato um Leão por Dia”: um estudo ergológico da trajetória de vida de um empreendedor


PALAVRAS-CHAVES:

Empreendedorismo; Ergologia; História de Vida; Crítica; Ideologia.


PÁGINAS: 160
RESUMO:

O objetivo desta dissertação foi compreender, pela perspectiva ergológica, o que a história de vida de um empreendedor tem a revelar sobre o empreendedorismo. O campo de estudos do empreendedorismo demonstrou-se fragmentado desde a Idade Média até os dias atuais. Um marco histórico para esse fenômeno foi a década de 1970, quando mudanças políticas, econômicas, sociais e tecnológicas fizeram com que o empreendedorismo ganhasse notoriedade. Isso incentivou alguns autores a buscarem a consolidação do campo como uma comunidade científica, na tentativa de construir uma estrutura conceitual e minimizar a fragmentação do campo. Nessa mesma época, o empreendedorismo, que anteriormente já havia recebido a atenção da economia e da psicologia se torna objeto dos estudos de gestão. Nesse sentido, foi possível refletir sobre o alinhamento das teorias administrativas aos interesses do capital, desde a escola clássica até o modelo de produção flexível. Atualmente, o debate se dá em torno da ideia do empreendedorismo, da gestão de si. Essa retomada histórica dá indícios de que o empreendedorismo é mais uma ideologia depositária da racionalidade neoliberal, que tenta ocultar os conflitos existentes entre capital e trabalho. Isso pode ser confirmado pelo seu auge em um momento de globalização e aumento da concorrência, o que resultou em demissões em massa nas empresas que não conseguiram se manter perante o novo cenário concorrencial. Assim, emergiram os discursos estimuladores do empreendedorismo como uma forma de se alcançar o sucesso, quando na verdade tenta camuflar a crise do desemprego. Esses discursos são pautados em conselhos, imperativos e normas de conduta que funcionam como um sistema de dominação e fazem com que as pessoas assumam um modo de comportamento compatível com o sistema capitalista, valorizando a liberdade, a individualidade e a competição. Nisso, a responsabilidade pela carreira, pelo bem-estar e pela vida em geral passa para o sujeito. Adotando a lupa ergológica para enxergar o empreendedorismo como uma ideologia, vê-se que nisso, os polos do sistema tripolar (político, mercado e atividade) perdem o equilíbrio, já que tanto o Estado quanto o indivíduo passam a ser guiados pelos valores do mercado. Nesta dissertação buscou-se jogar luz à atividade do empreendedor e para isso foi adotado o método História de vida como caminho metodológico. A História de vida de Tux e sua trajetória com o empreendedorismo evidenciam que suas narrativas são influenciadas pela ideologia do empreendedorismo. Entretanto, ao contar sua história, emergiram os conflitos, debates de normas, usos de si por si e pelos outros, contradições entre os valores mercantis e valores do bem comum, o que afeta seus processos decisórios. Demonstrou-se como a História de vida pode ser utilizada como um dispositivo ergológico no que tange a convocar o trabalhador para produzir conhecimentos sobre sua atividade e como uma postura de recusa a qualquer simplificação mutilante do trabalho. Além disso, a História de vida de Tux também representa as histórias de muitos outros empreendedores brasileiros, que lutam para manter sua empresa em funcionamento mesmo perante um cenário desfavorável.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - LILIAN BAMBIRRA DE ASSIS
Interno - ADMARDO BONIFACIO GOMES JUNIOR
Interno - FERNANDA TARABAL LOPES - UFRGS
Externo à Instituição - MÔNICA DE FÁTIMA BIANCO - UFES
Notícia cadastrada em: 12/02/2019 14:36
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