Projeto Pedagógico do Curso

O PEFD propõe-se a formar profissional que, a partir da compreensão e da análise do todo em que se constitui a organização do trabalho educativo, seja capacitado para atuar no ensino, na organização e na gestão de sistemas, unidades e projetos educacionais, bem como na produção e difusão do conhecimento, portanto, utiliza-se de sua formação para atuar em diversas áreas da educação formal e não formal. O trabalho pedagógico constituirá o principal articulador dessa formação, sendo direcionado para a atuação na segunda etapa do ensino fundamental, no ensino médio e no ensino técnico de nível médio, conforme o componente da organização curricular correspondente à habilitação que obtiver no PEFD.

 

Para isso, o curso investe na proposta de que todas as atividades curriculares e extracurriculares desenvolvidas pelos diversos professores do curso se fundamentem na pluralidade intelectual, política, ética e estética. Dessa maneira, as reflexões elaboradas com os alunos no decorrer do curso, em suas diversas habilitações, vão contribuir para o processo de formação profissional, entendido como um permanente devir, sem haver um padrão previamente projetado e circunscrito a apenas um tipo de formação. Desse modo, entende-se que o ensino universitário precisa construir suas bases na formação direcionada ao enfrentamento da pluralidade e do imprevisível, nos setores educacionais, para o exercício da cidadania e da profissão de professor, em suas diversas funções.

 

Busca-se, portanto, possibilitar a formação de um profissional que seja capaz de acompanhar as mudanças no mundo do trabalho, de provocar a ampliação de seu mercado de trabalho e de criar suas próprias possibilidades de emprego. Um profissional que desenvolva autonomia na busca de seu constante aprendizado para o exercício da profissão e da cidadania.

 

Considerando-se o perfil de profissional pretendido para o egresso do PEFD, procurou-se pontuar as principais competências e habilidades a serem desenvolvidas de maneira transversal por todas as disciplinas componentes do currículo e que, detalhadas e complementadas em seus planos de ensino, sobretudo em seus objetivos, fundamentarão esse perfil. Para se estabelecer tais competências e habilidades, fundamentou-se no artigo 7º, do Capítulo III, da Resolução 2, de 1º de julho de 2015.

 

1. Compreensão ampla e consistente do fenômeno e da prática educativos que se dão em diferentes âmbitos e especialidades, de modo a permitir ao profissional:


• o conhecimento da instituição educativa como organização complexa na função de promover a educação para e na cidadania;
• a pesquisa, a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional e específica;
• a atuação profissional no ensino, na gestão de processos educativos e na organização e gestão de instituições de educação básica;
• participação nas atividades concernentes ao planejamento educacional e ao projeto pedagógico da escola, bem como a participação nas reuniões pedagógicas e nos órgãos colegiados.


2. Domínio do repertório de informações e habilidades, composto pela pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos, resultado do projeto pedagógico e do percurso formativo vivenciado, o que viabiliza o estudo do contexto educacional, envolvendo ações nos diferentes espaços escolares, como salas de aula, laboratórios, bibliotecas, espaços recreativos e desportivos, ateliês, secretarias.

3. Compreensão do processo de construção do conhecimento do indivíduo inserido em seu contexto social e cultural, de forma a promover a aprendizagem e o desenvolvimento desses sujeitos em suas diferentes fases de desenvolvimento humano, considerando-se as etapas e modalidades de educação básica, além de motivar ações que valorizem o trabalho coletivo, interdisciplinar e com intencionalidade pedagógica clara para o ensino e o processo de ensino-aprendizagem.

4. Capacidade de identificar problemas socioculturais e educacionais, propondo respostas criativas às questões da qualidade do ensino, assim como medidas que visem à superação da exclusão social, com o desenvolvimento, o planejamento e a execução de atividades nos espaços formativos (instituições de educação básica e de educação superior, agregando outros ambientes culturais, científicos e tecnológicos, físicos e virtuais que ampliem as oportunidades de construção de conhecimento), desenvolvidas em níveis crescentes de complexidade em direção à autonomia do estudante em formação.

5. Compreensão e valorização das diferentes linguagens manifestas nas sociedades contemporâneas e de sua função na produção do conhecimento, por meio de leitura e discussão de referenciais teóricos educacionais, bem como apresentação de propostas e dinâmicas do ponto de vista didático-pedagógico.

6. Compreensão e valorização dos diferentes padrões e produções culturais existentes na sociedade contemporânea, aplicando-se essa compreensão no desenvolvimento, na execução, no acompanhamento e na avaliação de projetos educacionais, incluindo-se o uso de tecnologias educacionais, os diferentes recursos e estratégias didático- pedagógicas, por meio da articulação entre a linguagem dos meios de comunicação e a educação.

7. Capacidade para atuar com os diferentes e os portadores de necessidades especiais, nos diversos níveis da organização escolar, de modo a assegurar seus direitos de cidadania, identificando questões e problemas socioculturais e educacionais, com postura investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, a fim de contribuir para a superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas, de gênero, sexuais e outras.

8. Atuação ética e compromissada com a construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária, que promova e facilite relações de calaooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade.

9. Compreensão de sua atuação, na formação dos estudantes da educação básica, a partir de uma concepção ampla e contextualizada do ensino e dos processos de aprendizagem e seu desenvolvimento, incluindo-se os alunos que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria.


10. Incentivo à aprendizagem e ao aprimoramento dos sujeitos, nas diferentes fases do desenvolvimento humano, de acordo com as etapas e modalidades de educação básica;

11. Desenvolvimento dos conhecimentos, hábitos e atitudes de pesquisador, de modo a se proporcionar um entendimento mais amplo sobre os estudantes e sua realidade sociocultural, sobre os processos de ensinar e de aprender em diferentes contextos ambientais e ecológicos, sobre as propostas curriculares, sobre a organização do trabalho educativo e das práticas pedagógicas, entre outros.

12. Compreensão crítica das Diretrizes Curriculares Nacionais, além de outras determinações legais, como componentes de formação fundamentais para o exercício do magistério.

13. Desenvolvimento da capacidade para atuar na gestão e organização das instituições de educação básica, planejando, executando, acompanhando e avaliando políticas, projetos e programas educacionais.

O presente curso de formação inicial de professores tem como finalidade formar profissionais com competências, com habilidades e com qualificação para atuar nas organizações educativas da sociedade brasileira. Tendo em vista o ambiente de crescente complexidade e permanente mudança, a docência exige do profissional uma base técnico científica que lhe permita, por meio de processo de autoquestionamento e aprendizado permanente, absorver, processar o novo e a mudança, além de adequar-se às necessidades, às exigências e aos requisitos das organizações atuais. De acordo com tais premissas, o PEFD prioriza uma orientação de permanente estímulo à criatividade, por meio do raciocínio analítico, da capacidade de realização e de desenvolvimento das habilidades de expressão oral e escrita. Mais do que se habilitar para a docência de sua habilitação exigida pela organização em que atua num dado momento concreto, o profissional, que o curso finaliza, deve estar capacitado a assimilar qualquer conteúdo e aprendizado que a docência nas organizações escolares formais e não formais, em permanente mudança, exige dentro de uma sociedade que apresenta alternativas contraditórias e valores opostos.

Entende-se que a metodologia de ensino em cursos de formação docente requer especial atenção no sentido de valorizar os saberes históricos, pedagógicos e técnicos que serão mobilizados, problematizados, sistematizados e incorporados à experiência de construção do saber profissional. Com efeito, apreende-se a partir dos estudos de Manfredi (1993, s/p), considerando-se a perspectiva histórico-dialética, que a metodologia e os métodos de ensino não são “esquemas universais aplicáveis mecânica ou indiferentemente a qualquer prática educativa, em qualquer situação, pois eles mesmos também se plasmam a partir de situações particulares, num movimento específico”.

Desse modo, pressupõe-se que uma metodologia de ensino que favoreça o processo, o movimento de ensinar e aprender consiste, assim como a educação, num processo de construção humana a partir da prática social. Sendo assim, não é possível estabelecer regras lineares, posto que as mesmas devam dialogar com os seres sociais e com o contexto social em questão. Desse modo, as metodologias de ensino serão mais “consistentes e orgânicas à medida que estejam alicerçadas numa perspectiva de avanço em reflexões teóricas, que se referendem e construam a partir de experiências pedagógicas vivas e particulares e das práticas sociais e científicas em geral” (MANFREDI, 1999, s/p).

Reconhece-se, todavia, que as práticas didático-pedagógicas dos professores nos cursos de formação docente devem ser precedidas de metodologias que possibilitem uma reflexão sobre a prática social e profissional. Passos (2009, p.36) entende que o professor deve preocupar-se com “a valorização do conhecimento e sua atualização, com pesquisa, crítica e cooperação, com os aspectos éticos do exercício da profissão, com os valores sociais, culturais, políticos e econômicos, com a participação na sociedade e o compromisso com sua evolução”. Demo (2000) alerta para o agrave de se formar professores com base na materialização de metodologias arcaicas e que não favoreçam uma formação crítica, reflexiva, com bases sólidas no conhecimento científico e pedagógico. Em suas palavras:

o aluno que apenas escuta exposições do professor, no máximo, se instrui, mas não chega a elaborar a atitude do aprender a aprender; 2. o professor sem produção própria não tem condições de superar a mediocridade imitativa, repassando, pois, esta mesma; 3. é absurdo aceitar que, no percurso de um professor que lê em outros autores e repassa para alunos, que, por sua vez, também apenas escuta e copia, aconteça qualquer coisa de relevante, sobretudo informação ativa; 4. reduzida a vida acadêmica apenas a isto, não acontece o essencial, seja na linha da qualidade formal (instrumentação técnica da autossuficiência), seja na linha da qualidade política (fundamentação da cidadania); 5. quem permanece no mero aprender, não sai da mediocridade, fazendo parte da sucata (DEMO, 2000, p.130).

 


Demo (2006) esclarece a importância de o professor ser autor da sua trajetória profissional, de educar pelo exemplo, pela criatividade, pela inovação. Schön (1992) orienta o professor a refletir didaticamente sobre a sua prática e afirma que “os bons profissionais utilizam um conjunto de processos que não dependem da lógica, da racionalidade técnica, mas sim de manifestações de sagacidade, intuição e sensibilidade artística”. Não obstante, a prática didático-pedagógica requer a utilização de recursos metodológicos diversificados como, por exemplo, aulas expositivas dialógicas; seminários; trabalhos em grupo; pesquisas na WEB; enquetes; júris simulados; metodologia de projetos; projetos interdisciplinares; metodologia de resolução de problemas; estudos de caso; estudo dirigido, dentre outros. Orienta-se, portanto, que seja prioridade a utilização de recursos e técnicas que possibilitem ao aluno/professor vivenciar aulas que evoluam para a reflexão sobre a prática pedagógica. Por conseguinte, a integração teoria prática poderá ser evidenciada a partir de problemas reais (ou fictícios que exemplifiquem o conteúdo em questão); reflexão-ação-reflexão da prática vivenciada; estudos de caso; realização de oficinas, problematização de resultados de pesquisas relacionadas ao tema/conteúdo de aprendizagem.

Apesar de conceber a metodologia como um ato subjetivo, um movimento que requer a participação dos atores sociais e da prática social e profissional para a sua elaboração, é possível apresentar algumas diretrizes que poderão nortear a ressignificação do processo de ensinar e de aprender, além de alguns procedimentos e atitudes, a partir das seguintes propostas:

• Articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão;

• Compreensão da pesquisa como princípio científico, educativo e formativo;

• Debates, discussões e problematização do conhecimento utilizando diferentes fontes de consulta;

• Promoção da integração entre os professores das diferentes disciplinas, superando a fragmentação do conhecimento;

• Observação, oficinas, concepção dos projetos, entre outras estratégias de integração;

• Valorização da totalidade das múltiplas relações que o homem estabelece por meio das práticas sociais;

• Realização de atividades práticas e de oficinas temáticas;

• Criação e manutenção de um site especializado em formação docente para divulgar a produção discente e docente relativa ao curso, artigos de outros colaboradores e de informações relevantes aos usuários, tais como: bibliografia, legislação, eventos, experiências inovadoras de gestão educacional;

• Reflexão da prática docente a partir da percepção do aluno/professor.

O PEFD prevê uma avaliação da aprendizagem contínua e cumulativa, assumindo de forma integrada no processo ensino- aprendizagem as funções diagnóstica, processual, formativa e somativa. O sistema de avaliação adotado por cada professor deverá estar em conformidade com as Normas Acadêmicas vigentes.

As avaliações devem ser utilizadas como princípios para a tomada de consciência das dificuldades, conquistas e possibilidades dos/as alunos/as e funcionar como instrumento colaborador na verificação da aprendizagem, levando-se em consideração o predomínio dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos.

Nessa perspectiva, a avaliação dá significado ao trabalho do/a aluno/a e dos docentes do curso e possibilita uma ação transformadora e de promoção social na relação professor- estudante, em que todos devem ter o direito a aprender e de refletir sobre a sua concepção de sociedade, de educação, de ser humano e de cultura. Nesse sentido, a avaliação será desenvolvida numa perspectiva processual e contínua, buscando a construção e a reconstrução do conhecimento e o desenvolvimento de hábitos e atitudes coerentes com a formação de professores/as críticos/as e cidadãos/ãs.

Destarte, é de suma importância que o/a professora/a do curso utilize instrumentos e técnica diversificados para avaliação da aprendizagem dos/as alunos/as, de forma que o/a possibilite observar melhor o seu desempenho nas atividades desenvolvidas e tomar decisões para reorientá-lo/a no processo diante das dificuldades de aprendizagem apresentadas, exercendo o seu papel de orientador/a que reflete na ação e age de maneira corretiva.

Assim, a avaliação tem como função priorizar a qualidade e o processo de aprendizagem, isto é, o desempenho do/a aluno/a ao longo de todo o período letivo. As atividades avaliativas devem ser divididas ao longo do período letivo da disciplina, considerando-se um total de 100 pontos distribuídos por disciplina individualmente, não se restringindo apenas a uma prova ou trabalho. Deve-se considerar os aspectos de assiduidade, o aproveitamento e a qualidade dos trabalhos propostos, os exercícios de aplicação e às atividades práticas, por meio de acompanhamento contínuo e dos resultados obtidos nas atividades avaliativas.


A proposta de atividades avaliativas das disciplinas deve contemplar objetivamente:


• Adoção de procedimento de avaliação contínua, processual e cumulativa;
• Prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos;
• Inclusão de atividades contextualizadas;
• Manutenção de diálogo permanente entre professor/a e estudante;
• Consenso dos critérios de avaliação a serem adotados e cumprimento do estabelecido;
• Disponibilização de apoio pedagógico para aqueles que têm dificuldades;
• Adoção de procedimentos didático-pedagógicos visando à melhoria contínua da aprendizagem;
• Discussão na sala de aula dos resultados obtidos pelos/as alunos/as nas atividades desenvolvidas;
• Valorização do erro como oportunidade de aprendizagem e, não, de punição;
• Observação das características dos/as alunos/as, seus conhecimentos prévios e sua integração aos saberes sistematizados do curso, com vistas à reconstrução e ressignificação do saber docente.

Dessa forma, a avaliação deverá permitir ao docente identificar os elementos indispensáveis a análise dos diferentes aspectos do desenvolvimento do/a aluno/a, do planejamento e do trabalho pedagógico realizado. É, pois, uma concepção que implica numa avaliação que deverá acontecer de forma contínua e sistemática mediante interpretações qualitativas dos conhecimentos construídos e reconstruídos pelos/as alunos/as no desenvolvimento de suas capacidades cognitivas, habilidades e atitudes.

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